Uma das maiores barreiras para que casais busquem ajuda profissional é simplesmente não saber o que esperar. O consultório de terapia de casal ainda é envolto em mistério e muitas vezes em fantasias equivocadas, como a de que a terapeuta vai “tomar partido” ou expor segredos constrangedores. A realidade é muito diferente, e conhecê-la pode ser o primeiro passo para dar esse importante salto.
Antes da primeira sessão: o contato inicial
O processo costuma começar com um contato inicial por telefone e majoritaramente ppelo WhatsApp, onde uma das pessoas do casal apresenta brevemente o que os motivou a buscar ajuda. Esse momento já faz parte do processo terapêutico: a decisão de entrar em contato, a escolha das palavras para descrever a situação, quem tomou a iniciativa… tudo isso traz informações valiosas sobre a dinâmica do casal.

A primeira sessão: construindo o espaço seguro
Na primeira sessão, o objetivo principal não é resolver nenhum conflito específico, mas sim estabelecer o contrato terapêutico e criar um ambiente de segurança para ambos. Informo como funciona o processo, esclareço a questão do sigilo (que se aplica ao casal como unidade e com alguns detalhes éticos importantes) e começo a conhecer a história dos dois.
Nesse encontro inicial, é comum que qualquer terapeuta faça perguntas sobre como o casal se conheceu, o que os une, quais são as principais queixas e o que cada um espera da terapia. Esse mapeamento, chamado na clínica sistêmica de “leitura do sistema”, ajuda a identificar padrões de comunicação, alianças e estruturas relacionais logo de início.
O papel do terapeuta: mediador, não juiz
Um ponto fundamental: o terapeuta não é árbitro nem conselheiro. Não estamos para dizer quem tem razão, dar conselhos sobre o que fazer ou orientar o casal a ficar junto ou se separar. Meu papel é criar condições para que o casal amplie sua própria compreensão da dinâmica que vivem.
Salvador Minuchin, que é uma referência na terapia familiar estrutural, descreveu o terapeuta como alguém que “entra no sistema para transformá-lo de dentro“. Isso significa que o profissional participa ativamente das sessões, fazendo intervenções que desestabilizam padrões rígidos e abrem novas possibilidades de relação.
Sessões conjuntas e individuais: quando cada uma é usada?
A maioria das sessões acontece com o casal junto. No entanto, dependendo das necessidades do processo, podem ser realizadas sessões individuais com cada parceiro em determinados momentos. Isso permite explorar questões pessoais que influenciam a relação como traumas de infância, padrões de apego, histórico familiar sem que o outro parceiro esteja presente.
É importante que o casal compreenda como essas informações serão tratadas: bons terapeutas deixam claro desde o início quais são as regras sobre confidencialidade nas sessões individuais dentro de um processo de terapia de casal.

Como é o conteúdo das sessões no dia a dia?
Após as sessões iniciais de avaliação, meu trabalgo pode envolver uma grande variedade de dinâmicas: exploração de conflitos recorrentes com o olhar voltado para os padrões subjacentes; exercícios de escuta ativa e comunicação não violenta; reflexões sobre as histórias familiares de origem de cada um e como elas influenciam o relacionamento atual; trabalho com emoções difíceis como ciúme, mágoa, medo e raiva; e discussão de acordos e expectativas sobre temas como sexualidade, finanças, parentalidade e etc.
Quanto tempo dura o processo?
Não há um número fixo de sessões. Processos breves e focados podem durar de 12 a 20 encontros. Processos mais profundos, especialmente quando há questões individuais relevantes ou conflitos mais arraigados, podem se estender por mais tempo. O importante é que o ritmo seja sentido em conjunto, com clareza sobre os objetivos e tendo uma visão dos progressos.
A terapia de casal é um investimento de tempo, energia e disposição emocional. Mas os resultados, como maior conexão, comunicação mais saudável, capacidade de atravessar conflitos sem destruir o vínculo, têm impacto direto na qualidade de vida de toda a família.
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